PORTA

 

 

Passaram-se as horas, nem percebi,

Parecia não haver nada além das paredes,

Afastei os lençóis com os quais te cobri,

Inundado por ti, ainda me senti com sede.

 

Desejava que nossa existência se restringisse ao amor,

Eu não queria ter que voltar ao mundo real,

Pois envolver-me em ti me fazendo de cobertor

É como construir o meu paraíso pessoal.

 

O teu olhar sonolento e aquela voz rouca,

A tua mão suave e tão carinhosa,

Irresistível atração que me faz beijar tua boca,

Transformando um pequeno quarto na mansão mais suntuosa.

 

Acho que estamos condenados a morrer de amor,

Mas para mim nada mais importa.

Morrerei feliz mesmo que isso me cause dor,

Mas me recuso terminantemente a abrir essa porta.

 

Eduardo de Paula Barreto