POETA VAGABUNDO

 

A mesa toda bagunçada,

Papéis caídos no chão,

A cabeça ainda menos organizada,

Uma dor terrível na mão.

 

O relógio rodando depressa,

A ansiedade que consome,

O estômago virando às avessas,

Se corroendo de tanta fome.

 

O telefone fora do gancho,

A compenetração à beira do absurdo,

A preocupação em não se fazer garranchos

E alguém grita: – Você está ficando surdo?

 

Talvez eu não conquiste o mundo,

Mas a poesia me completa

E mesmo que me chamem de vagabundo

Jamais deixarei de ser poeta.

 

Eduardo de Paula Barreto