POETA SEM MUSA.

 

    Papéis, canetas, pensamentos perdidos,

    Riscos intuitivos, variadas inspirações.

    Ocupo-me atendendo aos pedidos,

    Compondo versos que pretendem despertar emoções.

    Um pobre poeta de quarenta e ... anos de idade,

    Recluso, sentindo o pulsar das poesias em suas veias.

    Ansioso espera com toda sinceridade,

    Nutrir da mais pura felicidade as vidas alheias.

    Dôo-me a qualquer alma que tenha como necessidade

    Ouvir palavras que o peito incendeia.

 

    Mas sinto-me solitário em uma esfera pequena,

    Ínfimo invólucro onde me refugio.

    Não sei dizer o quanto vale a pena

    Homenagear o próximo enquanto me distancio,

    Acredito ser esse o meu maior dilema.

 

    Melhor será abandonar o meu ninho,

    Usar o meu dom para conseguir lhe conhecer.

    Sairei então, correndo ansioso, buscando-a pelo caminho,

    Assim quem sabe, minha musa inspiradora poderá ser você.

 

     Eduardo de Paula Barreto