POETA FINGIDOR
Ao ver uma porção de letras
Logo faço uma coleta
E usando uma caneta
De tinta azul ou preta
Finjo que sou poeta.
Se surge algum verso na cabeça
Quando ameaço tirar uma soneca
Impeço que o meu corpo adormeça
E correndo para a mesa
Finjo que sou poeta.
Começo a dispor os verbetes
Como se eles fossem setas
E como alvo na parede
Estão a minha fome e sede
De fingir que sou poeta.
O meu coração bate contente
Quando a poesia se completa
Então sigo diariamente
Escrevendo mesmo estando ciente
De que apenas finjo que sou poeta.
Eduardo de Paula Barreto