POESIA BANDIDA

 

A poesia é egoísta

Não aceita dividir

Aquele artista

Que através da escrita

A permite surgir.

 

A poesia é possessiva

Quer toda a atenção

Daquele que a vida analisa

E que o papel alisa

Para nele imprimir versos com sua mão.

 

A poesia é ciumenta

Perante todos a acuso

Ela esteve sempre me olhando atenta

Mas foi só eu completar quarenta

E desde então tem me mantido recluso.

 

E na minha reclusão

Exige que eu escreva

E me alimenta com intuição

Para que mesmo com limitada visão

Eu abra os meus olhos e veja.

 

A poesia não tem piedade

No cativeiro todo dia me bate

Mas mesmo que eu implore por liberdade

Peço por caridade

Nunca pague o resgate.

 

Eduardo de Paula Barreto