PLUMA
Pluma que o vento leva,
Impotência e desespero,
No topo da árvore escorrega
E facilmente perde o medo.
Agora está livre dos pés descuidados,
Não se suja mais nas enxurradas,
Não é mais artificialmente pintada
Para ornar fantasias industrializadas.
Mas do vento se vê dependente,
Pois não tem asas para voar,
Assim é jogada no chão de repente,
Indefesa para qualquer um pisar.
Antes não voava, mas corria
E ao nome de agasalho fazia jus.
Ah, que saudade da alegria
Dos tempos em que cobria uma avestruz.
Eduardo de Paula Barreto