PIRANHAS

 

O espelho que reflete a nossa imagem na água

É testemunha do nosso estado de espírito

E se deixamos cair uma lágrima

Ela de forma rápida

Nos transforma em fluído.

 

  Tendo parte de nós submersa

Passamos a integrar o espelho

Que de forma inversa

Vislumbra a nossa testa

Que de vergonha se tinge de vermelho.

 

Não mentimos para nós mesmos,

Não nos enganamos

E mergulhados na água somos peso

Que nos leva para um local ermo

E somos vítimas dos peixes que pescamos.

 

Somos devorados por piranhas

Que nos fazem em pedaços,

Não há astuta artimanha

Nem banhista que se banha

Que nos estenda o braço.

 

Se estivermos decepcionados

Com as nossas próprias imperfeições,

Ao invés de ficarmos desesperados

Chorando enchendo os lagos,

Pensemos antes de tomar as decisões.

 

Eduardo de Paula Barreto