PINGENTES

 

Vivemos de maneiras variadas,

A vida que temos e a que lembramos,

Mas a vida mais explorada

É aquela pela qual sonhamos.

 

Vivemos por falta de opção,

O que seria melhor do que viver?

Levamos a vida com curta visão,

Olhamos longe, tão pouco podemos ver.

 

Vivemos como a moça na estação

Sempre aguardando um novo trem,

A ansiedade que quase explode o coração

Faz contar as dormentes como ponteiros do além.

 

Vivemos como a esperançosa semente

Que aprecia a natureza da copa da árvore,

Se considera feliz por ser pingente,

Mas sonha em cair no solo e libertar-se do cárcere.

 

Eduardo de Paula Barreto