PIANO CONSOLADOR

 

Ao som do piano,

Pensamento distante,

Lembranças que flutuando

Transformam o semblante.

 

Tristeza contente,

Choro de emoção,

Corpo ardente,

Próximo de uma convulsão.

 

Respiração profunda,

Arritmia no coração,

Sangue que inunda

Trazendo rubor à feição.

 

Ansiedade que maltrata,

Agonia da espera,

Saudade que não se mata,

Angústia que não se supera.

 

  Ao presenciar tal sofrimento

O piano, até então calado,

Se manifesta com as teclas dizendo:

– Sorria, pois já se aproxima o seu amado.

 

Eduardo de Paula Barreto