PÉS NO CHÃO
Quem dera, quem dera,
Minhas aspirações fossem mais
Do que dolorosas quimeras
Causadoras de tantos ais.
Me preparo para as viagens
Que me levarão distante
E de repente acho tudo bobagem
E não dou nenhum passo adiante.
Selo o meu cavalo alazão
E me preparo para cavalgar,
Tomo as rédeas em minhas mãos,
Mas não sou capaz de montar.
Me curvarei sobre o tênue véu
Que existe entre a realidade e a ilusão,
Com as mãos rabiscarei o céu
Enquanto mantenho os meus pés no chão.
Eduardo de Paula Barreto