PÉS DO SÁBIO
A noite se torna mais escura
No momento que precede a
brancura
Que o Sol traz para o seu
quarto
A dor que por longo tempo
perdura
Se vai ao ter-se nos braços
a criatura
Que chega quando termina o
parto.
Quando a lagarta cria asas
Fica menor ainda a sua casa
E quase não consegue
respirar
É quando o casulo se rompe
E ela sai pelo horizonte
Exercitando o poder de voar.
O sábio que é jogado num
poço
E vê cair sobre o seu
pescoço
Terra que lá de cima é
jogada
Jamais perde a sua fé
Mas comprime a terra com os
pés
A transformando em escada.
Eduardo
de Paula Barreto
29/10/2008