PESADO FARDO

 

Pula dentro de si mesmo,

Afoga-se nos próprios prantos,

Sente-se indefeso

Abandonado por todos os santos.

 

Deseja o sono eterno,

Não sente atração pela luz,

Julga viver num inferno,

Pede ajuda para Maomé, Buda e Jesus.

 

Procura por um fio de esperança,

Se apóia na fé alheia,

Transforma em sufocante trança

O seu emaranhado de veias.

 

Assim caminha o homem

Cujo fardo não consegue levar

E uma lembrança o consome,

A de que muito do que fez não pode mudar.

 

Eduardo de Paula Barreto