PESADO FARDO
Pula dentro de si mesmo,
Afoga-se nos próprios prantos,
Sente-se indefeso
Abandonado por todos os santos.
Deseja o sono eterno,
Não sente atração pela luz,
Julga viver num inferno,
Pede ajuda para Maomé, Buda e Jesus.
Procura por um fio de esperança,
Se apóia na fé alheia,
Transforma em sufocante trança
O seu emaranhado de veias.
Assim caminha o homem
Cujo fardo não consegue levar
E uma lembrança o consome,
A de que muito do que fez não pode mudar.