PEREGRINO CALADO

 

Não preciso ser capaz de saber

Como é o funcionamento de tudo,

Prefiro simplesmente poder

Usufruir a alegria de ter

A oportunidade de viver neste mundo.

 

Nem todo segredo se permite

Desvendar aos olhos do homem,

O qual incansavelmente insiste

Em entender aquilo que assiste

Ao Sol do dia ou até quando dorme.

 

A vida segue o seu rumo

Mesmo sendo um mistério,

Mas o conhecer é o prumo

Com o qual o moribundo nivela o muro

Que cercará a sua cova no cemitério.

 

Talvez quando o homem estiver coberto

Pela terra que lhe serviu de estrada,

Tenha o seu entendimento aberto

E descubra que apenas agiu certo

Nos momentos em que não perguntou nada.

 

Eduardo de Paula Barreto