PERDAS

 

Perdemos a beleza do laço

Para abrir o presente,

A uva se desprende do cacho

E se lança no espaço

Para ressurgir na semente.

 

A moça perde a virgindade

Para gerar uma nova vida,

A criança perde a ingenuidade

Para descobrir a verdade

Até então escondida.

 

A pedra preciosa

Perde parte de si

Para tornar-se mais valiosa

E em mãos vistosas

Poder reluzir.

 

Não há lucro

Se não há perda,

Trocam-se muitos casulos

E teias grudadas nos muros,

Por lindos vestidos de seda.

 

Eduardo de Paula Barreto