PEDRA E MÃO  
 
Quem me dera fosse a vida
Um bloco de pedra-sabão
E que me fosse concedida
A capacidade de tê-la esculpida
Fazendo uso das minhas mãos.
 
Eu a colocaria na bancada
E a entalharia com um formão
E em cada martelada
Ouviria as palavras sussurradas
Que surgiriam como intuição.
 
Sem impor com crueldade
O fruto da minha ambição
Ofereceria com humildade
A minha pequena habilidade
Como um parceiro na criação.
 
Tendo a peça concluída
Manteria meus braços elevados
Em gratidão à bênção recebida
De poder dar novamente vida
Ao que jazia inanimado.
 
Eduardo de Paula Barreto
27/02/2009