PÁSSARO TRISTE.

 

A gaiola da vida, limite,

Não podemos voar, só alpiste.

Nosso único vôo é o olhar.

Da varanda vemos o monte,

Ele é todo o nosso horizonte

Que sonhamos poder explorar.

 

Vários pássaros passam voando,

Felizes sempre cantando,

Parecendo nos desafiar.

Por não cantarmos nos libertam da cela,

Podemos voar por inúmeras serras

E do alpiste apenas lembrar.

 

Lindos vôos por terras distantes

Com canções sempre tão penetrantes

Que fazem milhares chorar.

 Não existem limites agora,

Prosseguimos, sem dia, nem hora,

Só queremos cantar e encantar.

 

Mas no auge de nossos vôos

Onde o alpiste é só uma lembrança,

Uma pedra malvada, impiedosa,

Destrói a mais linda esperança.

 Ela voa para muito distante,

Eu aqui agora fico errante,

Sem saber se voltarei a cantar.

 

Eu daria todos os momentos felizes,

Até a liberdade que sonhei conquistar,

Se voltando para aquela gaiola pequena,

Lá eu a pudesse encontrar.

 

Eduardo de Paula Barreto