PÁSSARO TRISTE.
A gaiola da vida, limite,
Não podemos voar, só alpiste.
Nosso único vôo é o olhar.
Da varanda vemos o monte,
Ele é todo o nosso horizonte
Que sonhamos poder explorar.
Vários pássaros passam voando,
Felizes sempre cantando,
Parecendo nos desafiar.
Por não cantarmos nos libertam da cela,
Podemos voar por inúmeras serras
E do alpiste apenas lembrar.
Lindos vôos por terras distantes
Com canções sempre tão penetrantes
Que fazem milhares chorar.
Não existem limites agora,
Prosseguimos, sem dia, nem hora,
Só queremos cantar e encantar.
Mas no auge de nossos vôos
Onde o alpiste é só uma lembrança,
Uma pedra malvada, impiedosa,
Destrói a mais linda esperança.
Ela voa para muito distante,
Eu aqui agora fico errante,
Sem saber se voltarei a cantar.
Eu daria todos os momentos felizes,
Até a liberdade que sonhei conquistar,
Se voltando para aquela gaiola pequena,
Lá eu a pudesse encontrar.