PÁSSARO ACROFÓBICO

 
Outro dia chorei sozinho
Na mais profunda amargura
Ao ver um passarinho
Que não saltava do ninho
Por ter medo de altura.
 
Seus pais e irmãos no ar diziam:
Voe, honre a família das aves!
Todos seus amigos riam
E até os galhos o confundiam
Com uma das folhas da árvore.
 
Mas ninguém percebia
O que realmente se passava
Com o passarinho que tremia
O coitado tinha acrofobia
E só por isso não voava.
 
Quando ele me viu
Implorou-me que o levasse embora
Esta foi a única fez que se ouviu
Um pássaro que sendo livre pediu
Para ser trancado numa gaiola.
 
Eduardo de Paula Barreto
17/10/2009