PARDAL
Lá no morro bem alto
Não tem luz nem água,
Não se vê asfalto,
A comida estraga.
Quando chove
A ruela vira sabão,
A ladeira ninguém sobe
Sem levar escorregão.
O vento então sacoleja,
As crianças começam a pedir
Que o pai as proteja
E não deixe o barraco cair.
Nas noites de verão,
Próprias para um passeio,
Todos se deitam no chão
Se protegendo dos tiroteios.
Na manhã o menino boceja
Enquanto olha para o quintal,
Aí então sente inveja
Do João-de-barro e do Pardal.
Eduardo de Paula Barreto