PARCEIROS NO CHORO

 

Olá sofá, pare de chorar,

Não fique assim tão deprimido.

Você tem que se acostumar,

Ainda tem a lembrança, nem tudo está perdido.

 

Olá chão, melhore esse astral,

Se chorar levarei um escorregão

E isso será muito mal,

Pois quem me dará a mão?

 

Olá parede, vejo lágrimas escorrendo,

Pare senão molhará as cortinas.

É claro que a compreendo,

Chora de saudade daquela menina.

 

Olá teto, que gotas são essas?

Não vai me dizer que também está triste!

Elas estão encharcando minha testa,

Corro o risco de pegar uma gripe.

 

Olá lâmpada, cadê a sua luz amarela?

Vai, deixe de charme, se reanime,

Sei que também sente saudade dela,

Mas preciso que você me ilumine.

 

Precisamos nos unir e ser fortes,

Enxugar nossas lágrimas e prosseguir

Ou então sucumbiremos à morte

Numa inundação que virá nos destruir.

 

Pois percebi que as nuvens também choram,

Não suportaram vê-la partir,

O Sol e a Lua nos ignoram

Achando que fomos fracos ao não impedi-la de ir.

 

Todos perguntam onde ela estará, para onde terá ido

E eu fico aqui a me questionar

Se terei sido o único responsável por ela ter partido,

Até quando terei que chorar?

 

Eduardo de Paula Barreto