PAPEL CARBONO
Carrego no bolso um punhado de prata,
Ninguém ousa me mandar para o inferno.
Todos me consideram bem-vestido, mas odeio gravata
E me acho ridículo dentro deste desidratante terno.
Sento-me da forma correta,
Seguro os talheres com firmeza.
Termino a refeição com fome de atleta
E tenho que deixar um monte de comida sobre a mesa.
Quando me perguntam como estou,
Respondo que está tudo bem, obrigado.
Dizem que não é de bom tom
Ser sincero dizendo o que está errado.
Onde está a minha individualidade?
O quanto sou realmente meu dono?
Direi não ao que inibe a minha liberdade,
Me recuso a ser uma folha de papel carbono.
As convenções anulam a personalidade
De cada homem e de cada mulher
Os transformando na realidade
Em apenas mais um personagem de uma cena qualquer.