PAPEL CARBONO

 

Carrego no bolso um punhado de prata,

Ninguém ousa me mandar para o inferno.

Todos me consideram bem-vestido, mas odeio gravata

E me acho ridículo dentro deste desidratante terno.

 

Sento-me da forma correta,

Seguro os talheres com firmeza.

Termino a refeição com fome de atleta

E tenho que deixar um monte de comida sobre a mesa.

 

Quando me perguntam como estou,

Respondo que está tudo bem, obrigado.

Dizem que não é de bom tom

Ser sincero dizendo o que está errado.

 

Onde está a minha individualidade?

O quanto sou realmente meu dono?

Direi não ao que inibe a minha liberdade,

Me recuso a ser uma folha de papel carbono.

 

As convenções anulam a personalidade

De cada homem e de cada mulher

Os transformando na realidade

Em apenas mais um personagem de uma cena qualquer.

 

Eduardo de Paula Barreto