PALAVRAS ENGOLIDAS

 

São tantas as palavras engolidas

Que se acumulam no meu corpo,

Elas me causam uma certeza doída

De que por não terem sido proferidas

Me punirão com o desconforto.

 

Houve momentos em que

Eu deveria ter feito elogios,

Em outros precisaria ter

Tido a coragem de duro ser

E despertar no amigo o brio.

 

Por muitas vezes falei

Nos momentos em que deveria ter me calado,

Em outros me ocultei

E sei que por isso errei,

Pois em alguns momentos eu deveria ter falado.

 

Preferirei falar ao calar

Mesmo que cometa enganos

E se alguém me julgar

Não me importarei com o que possam pensar,

Pois as piores palavras são as que não pronunciamos.

 

Eduardo de Paula Barreto