PADRÃO DE BELEZA

 

Cento e vinte de busto,

Noventa de cintura.

É enorme o susto

Da sofrida criatura.

 

Cento e trinta de quadril,

Rugas espalhadas pela testa.

No espelho um barril

Que se odeia, se detesta.

 

Cinco graus de miopia,

Quatro dentes cariados.

Uma desculpa nova a cada dia

Para não tirar retrato.

 

Um e sessenta de altura,

Trinta e oito de sapato.

Celulites em fartura,

Estrias sob os tecidos fartos.

 

Se valoriza demais a aparência,

Criando-se padrões de beleza,

Mas a mulher bela é aquela cuja essência

É tão simples quanto a linda natureza.

 

Eduardo de Paula Barreto