PADRÃO DE BELEZA
Cento e vinte de busto,
Noventa de cintura.
É enorme o susto
Da sofrida criatura.
Cento e trinta de quadril,
Rugas espalhadas pela testa.
No espelho um barril
Que se odeia, se detesta.
Cinco graus de miopia,
Quatro dentes cariados.
Uma desculpa nova a cada dia
Para não tirar retrato.
Um e sessenta de altura,
Trinta e oito de sapato.
Celulites em fartura,
Estrias sob os tecidos fartos.
Se valoriza demais a aparência,
Criando-se padrões de beleza,
Mas a mulher bela é aquela cuja essência
É tão simples quanto a linda natureza.