OUTROS TRENS
No trem, do banco de madeira
Vejo a paisagem passar,
A relva cobrindo a terra inteira,
O voar do sabiá laranjeira
E o robusto gado a pastar.
São milhões de árvores esquecidas
Que são notadas pelo meu olhar,
Parecem ficar envaidecidas
E querer oferecer agradecidas
Seu fruto para eu provar.
Durante a minha viagem
Percebo o tempo escurecer,
É o Sol dando passagem
Às nuvens que mudam a paisagem
E logo começa a chover.
Eu ponho o meu rosto para fora
E deixo a chuva me molhar,
Depois de um tempo ela vai embora
E finalmente chega a hora
De eu desembarcar.
Chegando na estação
Um senhor me diz desolado:
- Você demonstrou admiração
Por tudo o que captou com a sua visão,
Mas nem sequer olhou para o outro lado.
Estive aqui todo esse tempo
Tentando lhe explicar
Que havia chegado o momento
Para o encerramento
Da sua vida neste lugar.
Você agora não será mais passageiro,
Mas irá muito mais além,
Pois as experiências que traz no bagageiro
O qualificam para ser o meu parceiro
E para como maquinista conduzir outros trens.
EDUARDO DE PAULA BARRETO