OUTRAS LUZES
No meio da escuridão
Surge como que por encanto
Com modesto clarão
Pulsando como um coração
Um tristonho pirilampo.
Ele voando olha para cima
Para vislumbrar uma luz amarela
E diz: — Tão triste é a minha sina
Pois minha luz é pequenina
Eu queria ser uma estrela.
A estrela angustiada
Chorando as tristezas suas
Confessa resignada:
— Invejo a luz prateada
Eu queria ser a Lua.
A Lua também chorando
Grita: — Até quando sofrerei?
Pois de crescente vou minguando
Minha luz vai se acabando
Eu queria ser o Astro-rei.
O Sol cheio de queixumes
Diz: — Ó, mais um dia foi-se
Confesso que tenho ciúme
E que queria ser um vaga-lume
Só para poder brilhar à noite.
Eduardo de Paula Barreto