Ousados mafiosos
15/01/2004

 
Ele tem dinheiro não importa a origem
É sempre muito respeitado devido ao carro que dirige
As portas são sempre abertas para ele
É cheio de tapinha nas costas
O chamam de doutor mesmo sendo quase analfabeto
Só porque tem aquilo que o povo gosta.
 
Carros importados, lindos apartamentos
Acompanhantes sofisticadas, aparente casamento
Corruptos também deixam rastros
Que às vezes são descobertos
Se julgam discriminados
Pois roubar é algo ‘certo’.
 
De fortes e gordos mafiosos
De repente se tornam doentes
No marasmo da cela, vida ociosa
Seu aspecto se torna deprimente.
 
Mas tais celas não são bem prisões
Parecem mais casas de massagem
Têm mulheres, vídeo e televisões
E só estão lá apenas de passagem.
 
Depois que a imprensa se cansa
Eles conseguem um habeas-corpus
E de volta aos seus escritórios
Começam de novo os negócios.
 
O que conquistaram com o suor do rosto alheio
Nunca deles será tirado
Voltam a aparecer descaradamente na mídia
Mas desta vez muito mais ousados.
 
E o povo honesto que trabalha e luta tanto
Se sente impotente e com cara de palhaço
Pois os imundos continuam roubando
E o cidadão de bem apenas sendo roubado.
 
Eduardo de Paula Barreto