O TURISTA E O ERMITÃO

 
Um turista chega numa praia distante
E encontra uma figura intrigante
Sentada sobre a areia branquinha
 Ele se aproxima de mansinho
E pergunta ao homem que ri sozinho:
— Qual é o motivo de tanta alegria?
 
— Olá amigo que vem da cidade
O motivo da minha felicidade
Não tem explicação
Apenas sou grato à natureza
Que me brinda com esta beleza
Enchendo de paz o meu coração.
 
— Eu vivo nesta praia deserta
Há mais de uma década
Depois que deixei a vida social
Eu era um alto executivo
Que de modo compulsivo
Vivia em função do vil metal.
 
O turista em tom de deboche
Diz ao ermitão: — Eu tenha posses
Sou economista, isto me deixa feliz
Moro numa casa imensa
Tenho fartura na despensa
E um jardim com chafariz.
 
O ermitão pergunta ao turista:
— Por que você trabalha como economista?
É quando o ouve orgulhoso responder:
— Eu trabalho em minha própria empresa
Para ter condições de ver as grandezas
Que só quem tem dinheiro pode ver.
 
O ermitão lhe pergunta: — Por quê?
— Como eu estava a lhe dizer
Minha vida se resume em trabalhar
Por isso labuto com energia e vontade
A fim de poder fugir da sociedade
Para ter estes momentos de bem-estar.
 
Assim o ermitão com olhar de pesar
Diz ao turista que está a lhe escutar:
— Agora você entenderá com profundidade
O motivo que me faz sorrir
Repare que o que você sonha em conseguir
É a rotina da minha realidade.
 
Eduardo de Paula Barreto
05/02/2012