OSTENTAÇÃO

   

Por que será constante

O sentimento bravio,

Força insalubre penetrante

Assim como as pedras jogadas no rio?

 

Por que será admirada

Toda a ostentação

Se as jóias que são mostradas

Foram feitas por humanas mãos?

 

Porque mais valioso do que o ornamento

É o pescoço que o ostenta,

Assim como não há luxuosa pia num convento

Que supere a importância da água benta.

 

Então o que vale é o que não pode ser visto,

A verdadeira grandeza do ser,

Riqueza que torna até o mais pobre benquisto,

Que não tem nada, mas o que tem sabe oferecer.

 

Eduardo de Paula Barreto