ORVALHO DO CORAÇÃO

 

 

São pétalas trêmulas,

Gotas de orvalho espalhadas.

Espinhos, defesa ingênua

Que não protegem as vítimas arrancadas.

 

Pétalas abraçadas formando um botão

De inibidas se tornam corajosas,

Nutrindo-se com água, não precisam mais do chão,

Abrem-se em sintonia transformando-se numa rosa.

 

Não entendem porque foram transferidas

Da natureza para um vaso num balcão.

Pensavam ter sido concebidas

Para ser do campo a mais bela decoração.

 

Envoltas num buquê continuam como pétalas molhadas

Que agora são conduzidas por delicadas mãos,

As gotas que as cobrem são lágrimas derramadas

Por aquele que as usa como palavras do coração.

 

Eduardo de Paula Barreto