ORIGEM
Às vezes olho para trás,
Não consigo disfarçar a apreensão,
Quem na verdade terão sido os meus ancestrais,
Talvez o macaco ou Eva e Adão?
Terei pulado de galho em galho
Tendo o corpo coberto por pêlos
Ou serei fruto de um ato falho
De um casal que cedeu à serpente em seus apelos?
Vejo que a selvageria
Típica dos homens antigos
É visível ainda hoje em dia,
Neste aspecto não somos desenvolvidos.
Das cavernas e folhas de parreira
Às casas suntuosas e tecidos caros,
Talvez tenhamos surgido de uma inocente brincadeira
De anjinhos que faziam bonequinhos de barro.
Somos frágeis vasos de porcelana
Que desconhecem o seu artesão,
Nos quebrando voltamos a ser lama
Ansiosa por encontrar outras sagradas mãos.
Eduardo de Paula Barreto