O MEU MELHOR AMIGO 
 
Ele me olhou de maneira estranha
E eu tentei ouvir o que dizia
Suas palavras vinham das entranhas
E ecoavam como os sons nas montanhas
E em minha alma se escondiam.
 
Ele passava as mãos sobre o rosto
E contava as recém-chegadas rugas
Olhava para sua calvície com desgosto
E em sua pele cada sinal exposto
Relembrava as antigas lutas.
 
Ele olhava para mim fixamente
O que me deixava constrangido
Parecia ser grato sinceramente
Por eu estar ao seu lado diariamente
E ser o seu melhor amigo.
 
Ao pensar sobre a magia da vida
Ele tingiu os seus olhos de vermelho
E sem conter a emoção sentida
Agradeci pela amizade oferecida
E dei um terno beijo no espelho.
 
Eduardo de Paula Barreto
21/01/09