O MATUTO 
 
O matuto saiu confiante
Levando um facão na mão
Pois ouviu que não distante
Alguém encontrou diamantes
Sob as águas do seu ribeirão.
 
Caminhou determinado
Cortando com o facão
O mato fechado
E quando já cansado
Chegou às águas da ambição.
 
Pisou na água fria
Que não passava da cintura
E catando cascalhos sentia
Que finalmente chegara o dia
De encontrar grande fortuna.
 
Mas os dias se passaram
Sem aparecer nada de valor
De repente dois homens chegaram
E abrindo seus alforjes mostraram
As pedras que cada um encontrou.
 
O matuto sentindo-se indignado
Gritou como uma fera:
Os diamantes que me são mostrados
A mim devem ser confiados
Pois foram achados em minhas terras.
 
Os homens então ameaçaram:
Calma aí seu miserável matuto
Nossas realidades mudaram
Deixe as águas que lhe encharcaram
Ou sua mulher vai ficar de luto.
 
Então uma tempestade caiu
Ao longo da caminhada
Foi tanta água que surgiu
Que o ribeirão virou rio
E chegou perto de sua casa.
 
Da sua janela testemunhou
O desaparecer da enchente
E ao olhar para o quintal reparou
Dois mortos em cujas mãos encontrou
As pedras mais reluzentes.
 
Eduardo de Paula Barreto
26/09/2009