OLHOS MEUS

 

Se estes olhos meus

Não vissem nada além do tangível,

Seriam olhos de quem já morreu

Sem descobrir o que é ser sensível.

 

Se estes olhos meus

Não se indignassem diante da dor,

Seriam como armas potentes que se deu

A um despreparado atirador.

 

Se estes olhos meus

Não gritassem contra as injustiças,

Seriam como a prece do ateu

Que logo que sobe aterrissa.

 

Estes olhos meus

Que não fazem uso da visão

Ao olharem os olhos teus

Enxergam uma Divina mão.

 

Eduardo de Paula Barreto