OLHOS DE JOSÉ
 
José foi assaltado
E chorou desesperado
Feito uma criança
Pois além do seu celular
 O ladrão conseguiu roubar
A sua esperança.
 
Sentou-se na calçada
E sem entenderem nada
As pessoas o viram chorar
E cada lágrima que escorria
Tão imensa parecia
Que ele temeu se afogar.
 
O sentimento de impotência
Diante de tanta violência
Enfraqueceu os seus braços
Tentou voltar para casa
Mas a mente em brasas
Também inibiu os seus passos.
 
Perdendo a sua temperança
Teve desejo de vingança
E o ódio surgiu como uma semente
Que cresceu em seu coração
E quando de longe viu o ladrão
Sentiu-se forte novamente.
 
Num sobressalto surpreendeu o bandido
E após tê-lo nos braços envolvido
Pôde fitá-lo de perto
E nos olhos dele encontrou frieza
O que lhe trouxe a certeza
De que puni-lo seria o mais certo.
 
 Quando começou a espancar o seu algoz
Ouviu do alto uma voz
Que o advertiu com amor:
Entregue-o à justiça meu filho
Para que nos seus olhos o brilho
Não seja igual ao do seu agressor.
 
Eduardo de Paula Barreto
12/10/2011