O JOVEM MISTERIOSO
Proclamou-se nas redondezas
Que um sábio chegaria
O povo então pôs a mesa
Cultivando a certeza
De novas de alegria.
Esperavam ver um homem idoso
De barbas compridas
E rosto rugoso
Mas surgiu um jovem misterioso
E estas palavras foram ouvidas.
— Quando o Sol lhe acordar
De manhã bem cedo
Não se queixe ao levantar
São tantos os que não podem vê-lo brilhar
Por terem nascido cegos.
— Ao sentar-se para comer
Não critique a refeição
Julgando algo melhor merecer
Lembre-se daqueles que
Imploram por migalhas de pão.
— Ao considerar-se desafortunado
Por não possuir tesouros
Olhe para o seu lado
E veja os ricos adoentados
Que para terem saúde dariam todo o seu
ouro.
Então o sábio se despediu
Deixando para trás pessoas refletindo
Foi quando se descobriu
Que o jovem que partiu
Era um cego, doente e faminto mendigo.
Eduardo de Paula Barreto