O
JARDINEIRO
A
beleza da juventude
Reuniu-se
em uma menina
Como
água no açude
Ou
como na poesia a rima.
Carregando
uma flor na mão
E
um largo sorriso no rosto
Rendendo-se
ao convite do chão
Se
esticou no gramado com gosto.
Era
uma aconchegante manhã de primavera,
O
Sol brilhando se refletindo no lago
Fez
surgir a sombra de alguém que viera
Com
um verso na ponta da língua para ser declamado.
O
trêmulo e tímido jardineiro menino
Pedindo
licença sentou-se,
Trazendo
em sua mão um lindo mimo
Gaguejando,
assim explicou-se:
—
Há tempos a vejo caminhando,
Misturando-se
às flores do meu jardim,
A
sigo sempre desejando
Que
me note e que se aproxime de mim.
—
Planejei recitar-lhe estes versos
Os
quais escrevi com minhas mãos,
Eles
são a expressão de sentimentos diversos
Produzidos
na usina do meu coração.
—
'Os dias de chuva me fazem chorar,
Tiram
deste meu jardim o brilho e o sentido,
Pois
te impedem de caminhar
E
sem teus passos não há campo florido'.
Eduardo
de Paula Barreto