O HOMEM

 

O homem caminha

Em direção a um futuro impreciso,

Pois ele semeia ervas daninhas

E os animais que cria

São treinados para ser agressivos.

 

O homem constrói castelos

Nos quais se abriga e se conforta,

Mas apesar de serem belos

Se tornam masmorra de flagelo

Quando não são construídas as portas.

 

O homem planta em enormes terrenos

Alimentos de sabores exóticos,

Mas eles se transformam em veneno

E embora na colheita se sinta glorioso e pleno

Na alimentação ingere apenas agrotóxicos.

 

O homem se distancia do seu semelhante

E ao longe acena para a multidão,

Faz isso quando está distante,

Mas quando está perto o bastante

Se recusa a apertar-lhe a mão.

 

O homem escreve a sua história apressado

Para garantir um final feliz,

Mas de repente fica frustrado

Ao ver que escreveu tudo errado

E que não poderá dizer: — Não fui eu que fiz.

 

Eduardo de Paula Barreto