O FILME
Luzes, câmera, ação!
Salta do ventre o novo Ser
E sob invisível direção
Inicia a sua apresentação
No cinema do viver.
No início faz filme mudo
E em tudo é dependente,
É bebê que se lambuza com tudo,
Ninguém o critica por ser careca e barrigudo
E nem tem nojo por ele não ter dentes.
Desenvolve uma técnica para pedir socorro
Para obter tudo o que precisa na vida,
Por não saber falar utiliza o choro
Que depois é seguido pelo sono
Após ter as suas necessidades atendidas.
Ao passar do tempo
Ele vê centenas de personagens em desfile,
Alguns despertam alegria, outros, descontentamento,
Mas o que mais importa é saber que todo esse elenco
É formado só por ele e que é ele quem determina o fim do filme.
Eduardo de Paula Barreto