O ESCULTOR
Tomo essa pedra, macete e formão,
Começo a esculpir sem prévio projeto,
Sinto como que algo conduz a minha mão,
Surge uma escultura, não um mero objeto.
Alguém me pergunta: – Onde está sua inspiração?
Difícil responder algo assim tão complexo.
Só sei dizer que minha ferramenta é a intuição
E que quando esculpo me sinto em parceria com o Universo.
Não tento prever precisamente o que vou criar,
Deixo minhas mãos devanearem livremente,
Pois sei que elas inconscientemente vão tirar
Idéias que estão escondidas em meu subconsciente.
Se eu tentar induzir a minha mão
O resultado poderá agradar, mas é bem possível
Que a obra não traga em si a energia da criação
E isso será percebido por qualquer pessoa sensível.
O autor se vai, mas sua obra permanece.
Onde está a fonte da inspiração? Ninguém explica.
Tudo contribui até a morte que algo negativo parece,
Pois é a certeza da morte que estimula a criatividade do artista.