O ESCULTOR

 

 

Tomo essa pedra, macete e formão,

Começo a esculpir sem prévio projeto,

Sinto como que algo conduz a minha mão,

Surge uma escultura, não um mero objeto.

 

Alguém me pergunta: – Onde está sua inspiração?

Difícil responder algo assim tão complexo.

Só sei dizer que minha ferramenta é a intuição

E que quando esculpo me sinto em parceria com o Universo.

 

Não tento prever precisamente o que vou criar,

Deixo minhas mãos devanearem livremente,

Pois sei que elas inconscientemente vão tirar

Idéias que estão escondidas em meu subconsciente.

 

Se eu tentar induzir a minha mão

O resultado poderá agradar, mas é bem possível

Que a obra não traga em si a energia da criação

E isso será percebido por qualquer pessoa sensível.

 

O autor se vai, mas sua obra permanece.

Onde está a fonte da inspiração?  Ninguém explica.

Tudo contribui até a morte que algo negativo parece,

Pois é a certeza da morte que estimula a criatividade do artista.

 

Eduardo de Paula Barreto