O CORCUNDA
Ele era um desconhecido
viajor
Que carregava uma dor
profunda
Pois apesar de difundir o
amor
Era vítima do escárnio
opressor
Simplesmente por ser
corcunda.
Em cada cidade que passava
Reunia enormes multidões
Que ouviam o que ele ensinava
Mas sempre que ele se virava
Sua corcunda despertava
humilhações.
Saia daqui seu doente
Como pretende nos ensinar
Se sua figura é deprimente
E todos os seus pertences
Num alforje se pode ajuntar?
Sem falar nada
O corcunda tirou o seu
chapéu
E ao desfazer-se de sua capa
A multidão viu surgirem asas
Que o levaram para o céu.
Eduardo
de Paula Barreto
19/08/2008