O BRUTO E O SENSÍVEL  

 
O bruto olha a multidão
E apenas vê um grupo reunido
Mas aquele que tem ampla visão
Por ter mais apurada percepção
Vê centenas de indivíduos.
 
Vê pessoas muito infelizes
Que para esconderem a tristeza delas
Fazem plástica arrebitando os narizes
E vê outras que por serem felizes
Riem mesmo sendo banguelas.
 
O sensível vê em cada rosto
Um livro sendo escrito
Uns com descaso outros com gosto
E cada verbete neles posto
Jamais poderá ser removido.
 
Ele também escreve o seu livro
Cuidando para fazê-lo bem
E ao chegar no epílogo
Decide colocar como título:
‘O homem que nunca julgou ninguém’.
 
Eduardo de Paula Barreto
20/08/09