O ÁRABE

  

Tempestade no deserto,

O árabe se abriga numa tenda

E do lado externo, bem perto,

Um camelo fugir da tempestade tenta.

 

– Meu senhor, por piedade,

Posso proteger minhas ventas?

Não suporto a tempestade,

Permita que as proteja em sua tenda.

 

– Meu senhor, por compaixão,

Posso proteger minha boca?

Não há mais ar em meu pulmão,

A areia se acumula em minha garganta toda.

 

– Meu senhor, por gentileza,

Não quero parecer atrevido,

Mas me permita proteger minha cabeça,

Os olhos e também os ouvidos.

 

Então ao relento o árabe pensa,

Enquanto seu peito de ira se incendeia,

O camelo está protegido em sua tenda

E ele exposto à tempestade de areia.

 

Eduardo de Paula Barreto