O AMENDOIM
Ai de mim, ai de mim
Grita o amendoim
Ao ver-se sendo colhido
Com profunda tristeza
Diz adeus à natureza
E aos seus amigos.
Dentro da colheitadeira
Começa uma choradeira
E ele fica quietinho
Por ter descoberto
Que em seu destino incerto
Ele não está sozinho.
Ele totalmente espremido
Com outros oprimidos
Num saco é enviado
Para um lugar sem tamanho
Cheio de seres estranhos
Que o deixam pelado.
Do alto de uma mesa
Ele testemunha a vileza
Daqueles seres maldosos
E ouve um deles dizendo:
Trabalhe e não fique comendo
Eles são muito gordurosos.
No meio dessa carnificina
Ele cai lá de cima
E rola para fora do edifício
O silêncio substitui a fofoca
Pois viraram pé-de-moleque e paçoca
Os companheiros do suplício.
Ele se vê só e distante
Quando um pássaro gigante
O engole sem mastigar
E depois de horas de aflição
Em meio ao fedor e à escuridão
Ele é lançado no ar.
Cai sobre a terra macia
E uma chuva alivia
A sua profunda dor
E dele surge uma raiz
Que o torna o mais feliz
Grão que a terra já abrigou.
Eduardo de Paula Barreto
01/12/2011