NÁUFRAGO

 

Quando me desgasto numa luta

Onde imperam o ódio e o rancor

Não importa quem vença a disputa

Sempre sou eu o perdedor.

 

Quando alimento mágoas antigas

E as revivo no meu momento atual

Dou vida ao que como morto jazia

Se sofro, sou eu o meu próprio mal.

 

Quando me mostro intolerante

E não procuro entender

As atitudes do meu semelhante

Vejo que tenho muito a aprender.

 

Quando deixo de ter esperança

Supondo não ser sábio sonhar

Sou como o náufrago que nas águas balança

E que perece apenas por se recusar a nadar.

 

Eduardo de Paula Barreto