NÁUFRAGO
Quando me desgasto numa luta
Onde imperam o ódio e o rancor
Não importa quem vença a disputa
Sempre sou eu o perdedor.
Quando alimento mágoas antigas
E as revivo no meu momento atual
Dou vida ao que como morto jazia
Se sofro, sou eu o meu próprio mal.
Quando me mostro intolerante
E não procuro entender
As atitudes do meu semelhante
Vejo que tenho muito a aprender.
Quando deixo de ter esperança
Supondo não ser sábio sonhar
Sou como o náufrago que nas águas balança
E que perece apenas por se recusar a nadar.