NÃO SOU
Não sou seis
Nem tampouco meia-dúzia,
Não sou eu, não sou vocês,
Sou apenas um monte de dúvidas.
Não sou preto
Nem sou branco,
Não sou sem-teto
Nem dono de banco.
Não sou bonito,
Mas também não sou feio,
Não estou sempre convicto,
Mas também não vivo só de devaneios.
Não sou inteligente,
Mas também não sou burro,
Não falo muito alto
Nem me comunico só por sussurros.
Não estou morto,
Mas também não estou vivo
E o que me serve de conforto
É saber que viver é preciso.
Eduardo de Paula Barreto