MUROS DAS TRIBOS
Da janela vejo uma grande tribo
Sem matas e nem feras
Onde reinam o caos e o perigo
Prédios, pessoas e veículos
Espremidos entre as serras.
Distantes serras cobertas
Por cortinas de cerração
Grades nas janelas abertas
Madrugadas de ruas desertas
Asfalto cobrindo o chão.
Pessoas sempre com pressa
Trânsito em lentidão
Vaidade nas roupas expressa
Policiais correndo à beça
Tentando pegar um ladrão.
Televisão ditando as regras
Para toda a sociedade
Que é manipulada sem trégua
E que sem resistência se entrega
À uma vida sem personalidade.
São Paulo das ocas de cimento
Dos ares de preto pó
Dos muros em tons cinzentos
Que cercam por fora e por dentro
Criando tribos de um homem só.
Eduardo
de Paula Barreto
24/04/2011