MULHER DE CINEMA
Sentado no sofá
Me derreto em prantos
Até quase me desidratar
Quando ponho para rodar
Um filme romântico.
Tudo é impecável,
A mulher está sempre arrumada,
É constantemente amável,
Acorda com hálito agradável
E cuidadosamente maquiada.
A mulher criada pelo cineasta
E estampada nos cartazes
Não enche a cara de pasta,
Não tem a cabeça cheia de caspa
E também não solta gases.
Não tem joanete nos pés
Nem meleca no nariz,
Também não tem chulé,
Adora fazer cafuné
E é o tempo todo feliz.
Não tem dente cariado
Nem manchas na tez,
O corpo está sempre bronzeado
Com o peso adequado
E não tem TPM todo mês.
Quem me dera ser um ator
Contracenando com o par ideal
Num filme repleto de amor
Sem nenhum espectador
E também sem final.
EDUARDO DE PAULA BARRETO