MOCINHO OU BANDIDO

  

Apenas um tênue véu,

Invisível linha sem brilho nem cor,

Como a atmosfera entre a Terra e o céu

É o que separa o ódio do amor.

 

Assim como o prazer

Que parece não caber no quarto,

Mistura-se com a dor que faz tremer

No sagrado momento do parto.

 

A justiça e a razão

Caminham de mãos dadas,

Como o lençol e o colchão

Podem aquecer ou manter mãos amarradas.

 

Não há linha divisória

Entre o bem e o mal,

Sou bandido ou mocinho na história

Da qual eu mesmo determino o final.

 

Eduardo de Paula Barreto