MOÇA
A gota d’água que dos seus olhos brota,
Escorre deixando um traço de dor.
Em seu peito se acumula numa poça,
Mas não consegue apagar a chama do amor.
Moça que na beirada da tortuosa estrada
Força um sorriso para disfarçar a tristeza,
Testemunha a partida do amado na carroça empoeirada
Que certamente vai, mas se volta não tem certeza.
A saia que cobre os joelhos com recato,
Colorida e minuciosamente bordada,
Como toalha enxuga o rosto amargurado,
Choro de menina que a segue na caminhada.
As cartas aguardadas ansiosamente
Trazem juras de amor de verdade.
Amenizam o sofrimento superficialmente,
Mas só fazem aumentar a saudade.
O amor verdadeiro permanece paciente,
Torcendo para passar o tempo e a distância
E na cidade um jovem profundamente sente
Que é aguardado pelo puro amor de uma moça-criança.