MOÇA

 

 A gota d’água que dos seus olhos brota,

Escorre deixando um traço de dor.

Em seu peito se acumula numa poça,

Mas não consegue apagar a chama do amor.

 

Moça que na beirada da tortuosa estrada

Força um sorriso para disfarçar a tristeza,

Testemunha a partida do amado na carroça empoeirada

Que certamente vai, mas se volta não tem certeza.

 

A saia que cobre os joelhos com recato,

Colorida e minuciosamente bordada,

Como toalha enxuga o rosto amargurado,

Choro de menina que a segue na caminhada.

 

As cartas aguardadas ansiosamente

Trazem juras de amor de verdade.

Amenizam o sofrimento superficialmente,

Mas só fazem aumentar a saudade.

 

O amor verdadeiro permanece paciente,

Torcendo para passar o tempo e a distância

E na cidade um jovem profundamente sente

Que é aguardado pelo puro amor de uma moça-criança.

 

Eduardo de Paula Barreto