MISSÃO

 

Eu vi os braços da morte,

Eles se abriram para mim,

Naquele momento me senti forte,

Confesso que não me assustei tanto assim.

 

Com apenas um por cento de chance

De sobreviver diante de uma grave infecção,

Não temi nem sequer por um instante

Conhecer o que pertence à outra dimensão.

 

A certeza que tive foi a de que sentiria paz,

Que apenas os olhos físicos se fechariam

E que como a alma nunca se desfaz,

Ela e as experiências se eternizariam.

 

O tênue véu quase se rompeu,

Mas por algum motivo eu sobrevivi.

Então agora tento entender o que aconteceu

E cumprir a missão que me mantém aqui.

 

Eduardo de Paula Barreto