MINÚSCULA ESFERA

 

Ó minha doce Lua,

Quem dera, quem dera

Ter a minha pele nua

Envolvida na sua

Em uma das suas crateras.

 

Como um confortável ninho

Ou como uma gigante palma

De uma mão que cheia de carinho

Ampara o meu corpo inteirinho

E afaga a minha alma.

 

  Na ausência de gravidade

Me solto, me elevo, levito

E embora restrito à mortalidade

Me sinto em plena liberdade

Voando como se fosse um espírito.

 

Deixei cada dor e aflição

Escondidas lá embaixo na Terra

E daqui tenho a consoladora visão

De que em meio à imensidão

Ela é apenas uma minúscula esfera.

 

Eduardo de Paula Barreto